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Tecnologia

Falha em certificados digitais coloca internet em alerta

Falha em certificados digitais coloca internet em alerta

Chaves privadas fracas poderiam permitir a criação de certificados falsos para qualquer site. Falha em certificados digitais coloca internet em alerta

Ilustração de cadeado vermelho, representando segurança
Certificados falsos poderiam ser usados para se passar por sites e serviços legítimos (Imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Resumo
  • Oito certificados tiveram suas chaves privadas comprometidas.
  • Falha poderia permitir a criação de certificados falsos para se passar por sites e interceptar conexões.
  • Principais navegadores já reagiram, mas sistemas Linux, aplicativos e dispositivos de IoT podem levar mais tempo para serem protegidos.

A descoberta de oito certificados digitais comprometidos da autoridade certificadora eMudhra colocou empresas e pesquisadores de segurança em alerta. As chaves privadas eram tão fracas que poderiam ser recuperadas e usadas para emitir certificados falsos capazes de se passar por sites e serviços legítimos.

Seis dos certificados intermediários afetados eram usados para TLS, tecnologia por trás das conexões HTTPS, enquanto outros dois eram destinados à assinatura de código. Mozilla, Google, Apple e Microsoft receberam o alerta no sábado (17), e fabricantes começaram a bloquear os certificados comprometidos pouco depois.

Por que os certificados comprometidos são perigosos?

Ilustração do ataque Man-in-the-Middle
Exploração da falha exigiria interceptar o tráfego entre usuário e serviço (imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)

O HTTPS usa certificados digitais para comprovar que o usuário está realmente conectado ao site que pretende acessar. Eles funcionam como uma espécie de documento de identidade reconhecido pelo navegador e ajudam a impedir que outro servidor se passe pelo original.

Com acesso às chaves privadas, alguém poderia criar certificados falsos para sites e serviços que seriam aceitos como legítimos por sistemas vulneráveis. Um pesquisador identificado como Wayne demonstrou ter acesso às oito chaves ao usá-las para assinar digitalmente uma mensagem enviada às empresas responsáveis pelos principais navegadores e sistemas. Segundo a Mozilla, seus engenheiros conseguiram recuperar as mesmas chaves pouco depois, confirmando a falha.

Isso não significa que um invasor poderia interceptar qualquer conexão pela internet. Segundo o Ars Technica, ainda seria necessário interceptar o tráfego entre a vítima e o serviço para explorar os certificados em um ataque.

Como os navegadores reagiram à falha?

A Mozilla afirma que concluiu o bloqueio dos certificados no Firefox menos de três horas após receber o alerta. A empresa também lançou o Firefox 158.0.1 para ampliar a proteção aos usuários. Chrome e outros navegadores também passaram a rejeitar os certificados comprometidos.

Havia uma exceção no momento da publicação: o Microsoft Edge no Windows 10 ainda conseguia estabelecer conexão com alguns servidores vulneráveis. A Microsoft foi questionada sobre o caso, mas não detalhou quando aplicaria o bloqueio nesse sistema.

Até o momento, não há relatos públicos de certificados fraudulentos utilizados em ataques. Esse tipo de medida já foi adotado em outras situações. O Chrome, por exemplo, deixou de confiar em certificados da Entrust após o Google apontar problemas na atuação da autoridade certificadora.

Correção pode demorar em sistemas e dispositivos antigos

O principal problema agora está fora dos navegadores. Distribuições Linux, aplicativos e dispositivos conectados podem continuar confiando nas credenciais comprometidas até receberem atualizações. O engenheiro de criptografia Filippo Valsorda disse ao Ars Technica que o trabalho de limpeza pode ser maior do que o provocado pelo Heartbleed, grave vulnerabilidade descoberta em 2014, pela variedade de sistemas que precisam ser atualizados.

Para usuários comuns, a principal recomendação é manter navegador, sistema operacional e aplicativos atualizados. Serviços como Signal e WhatsApp não dependem do TLS para proteger o conteúdo das mensagens e, por isso, não são afetados da mesma forma.

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